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Baiano - Manoel Pedro dos Santos (1870 - 1944)

Baiano - Manoel Pedro dos Santos

1870 - 1944




Se é para falar de primórdios, impossível não citar Bahiano (ou Baiano). Uma das figuras mais importantes da música brasileira Bahiano ou Manoel Pedro dos Santos, está ligado diretamente a importantes fatos de nossa história cultural.

Nascido na cidade de Santo Amaro da Purificação, em 05 de dezembro de 1870, Baiano é o dono da voz que registra a primeira obra gravada na história da música brasileira. Consta nos registros da antiga gravadora Casa Edison, sob o número de Zon-O-Phone 10.001, a gravação feita pelo artista para a música "Isto É Bom", lundu composto por outro baiano, Xisto Bahia, portanto foi feita por um baiano a gravação da primeira obra .

Entre as gravações feitas por Bahiano, encontramos ainda "Luar de Paquetá", "Papagaio Come Milho" e outro grande sucesso da época "Pelo Telefone" - este o primeiro samba a ser gravado com letra, em disco, na história da música brasileira.

> Antes da gravação de Baiano para "Pelo Telefone", a Banda Odeon havia gravado uma versão instrumental. 

Discografia (parcial):

1902 - Isto é Bom (Zon-O-Phone 10.001)
1902 - Bolin Bolacho (Zon-O-Phone 10.002)
1902 - A Pombinha Lulu
1909 - Os Colarinhos
1909 - O Taco
1903 - O Genro e a Sogra - música gravada com participação da Senhorita Consuelo
1904 - Cocorocó - música gravada com participação da Senhorita Consuelo
1912 - Os Mosquitos
1913 - A Viola Está Magoada
1916 - Pelo Telefone
1920 (década) - Papagaio Come Milho
1921 - Ai, Amor
1922 - Luar de Paquetá

Miscigenação como base da música popular brasileira

por Zé Ricardo Oliveira

Albert Eckhout (1610-1666), "Dança dos Tapuias", século XVII


A falta de um sistema que registrasse as produções musicais brasileiras no século XVIII nos restringe hoje de conhecer muito da musicalidade da época. Para nossa boa sorte, temos muitos documentos que, pelo menos,  nos permite acesso a algumas informações, e assim vamos remontando a história de nossa música popular.

A história da música popular brasileira tem um "start" a partir da miscigenação entre os povos que já habitavam o Brasil e os demais - fossem eles invasores, "descobridores", colonizadores, escravos e etc, o que ocasionou uma mistura também musical. Quando os colonizadores trouxeram sua música de cunho religioso, o objetivo era conter os ânimos dos desavisados portugueses e demais chegados, que aqui encontravam por todo canto índios e índias, negros e negras, escravos, nus em pelo - e sem ele!

Aonde começou isso tudo? Na Bahia, é claro!

A música sacra se fundiu à música indígena e ao batuque dos negros vindos do continente africano e o que se deu? Uma música completamente diferente do que se via na Europa, que de certa forma, já sofria inferências também da música africana através do povo levado para lá como escravo.

Pra pensar:
Se o nome índio foi dado pelos colonizadores em sua "trapalhada" chegada aqui, na busca "pelas Índias, então como se denominava o povo que vivia em nossas terras, antes de nos tornamos Brasil, antes da chegada dos colonizadores?

Dorival Caymmi e Walter Queiroz filhos da Bahia

Lembrando estes dois ícones da MPB baiana

Dorival Caymmi e Walter Queiroz


por Zé Ricardo Oliveira

"Tudo, tudo na Bahia
Faz a gente querer bem
A Bahia tem um jeito,
Que nenhuma terra tem!"


Esse é somente um dos milhares de versos cantados sobre a Bahia. Nesse trecho de "Você Já Foi A Bahia?" de Dorival Caymmi, dá pra sentir a leveza e a força do povo baiano. Caymmi, sem dúvidas, foi um dos compositores que mais e melhor retratou as belezas da terra do "mar e sol". Sua paixão pelo Estado nos proporcionou conhecer muito sobre a Bahia, mesmo sem viajarmos por toda a sua história.

Outro grande nome da MPB também deu sua forte contribuição para divulgar a cultura e a musicalidade baiana. Walter Queiroz, filho de Salvador, cantou a Bahia e sua capital, escreveu e recomendou para que mais pessoas pudessem a conhecer. Queroz compartilhou a Bahia com o mundo sem perder o suingue característico da terra.


"Filho da Bahia
Se você não vem
Não lhe faço dengo
Não vou lhe ninar
Ah, moreno"



Lembrando destes dois grandiosos mestres, representantes da Bahia na MPB, compartilhamos hoje dois de seus maiores sucessos: "O Que É Que a Baiana Tem?", de Dorival Caymmi e em seguida "Filho da Bahia", de Walter Queiroz.









O Amor Brazileiro Modinhas & Lundus do Brasil (2004)




Uma obra de arte o álbum O Amor Brasileiro - Modinhas & Lundus do Brasil (2004). Segunda parte do disco, originalmente lançado como duplo em 2004, traz uma retrospectiva de significativas modinhas e lundus brasileiros surgidas ali pelos séculos XVII e XVIII.

As modas eram o estilo musical comum em Portugal neste mesmo período, e ao ser trazido para cá, deu origem à sua "prima" brasileira, a modinha. Praticamente não existem muitas diferenças entre a moda e a modinha, mas fala-se que foi facilmente absorvida pelos brasileiros, devido a influência europeia imposta pelos portugueses na época.

Já o lundu (lundum, londu) é um ritmo africano, porém que foi tomando formas no Brasil. Mistura das culturas africanas escravizadas e trazidas para nosso país, mas fala-se que predominantemente da influência angolana, foi considerado como lascivo e assim, proibido de ser apresentado publicamente. Épocas depois, passou a ser uma dança brasileira invadindo os salões da alta sociedade e com forte penetração na Europa.

No disco citado, podemos ouvir reproduções destes dois estilos musicais através do trabalho do Vox Brasiliensis formado por:

Rosemeire Moreira - soprano
Tiago Pinheiro - tenor
Rozana Lanzelotte - pianoforte
Guilherme de Camargo - violões
Dalga Larrondo - percussão
Ricardo Kanji - flautas e direção.

Sem dúvida um disco que vale a pena pela beleza de seu conteúdo assim como pelo valor histórico do material.

O Amor Brasileiro - Modinhas & Lundus do Brasil (2004)
Lista de músicas (títulos em negrito):

01. Anonimo/M. Lopez de Honrubias, (1657) - Marizápalos a lo humano

02. Antonio José da Silva (1705-1739) - De mim já se não lembra

03. Anonyme, Lisbonne (c. 1700-1750) - Vilão do sétimo tom

04. Pe. José Maurício Nunes Garcia (1767-1830, Rio de Janeiro, RJ) - Marília bela/Já que só estou dando ais

05. Anonimo/ Fim do século XVIII - Se fores ao fim do mundo

06. Anonimo/ Fim do século XVIII - Os me deixas que tu dás

07. Anonimo/ Fim do século XVIII - Você se esquiva de mim

08. Domingos Caldas Barbosa (1740-1800) & Leal Moreira (1758-1819) - Os teus olhos e os meus olhos

09. Thomaz Antonio Gonzaga (Porto,1744-Ilha de Moçambique, 1810), musicada por compositor anônimo da mesma época (Marcos Portugal?) - Ah! Marília que tormento/Os mares minha bela

10. Thomaz Antonio Gonzaga (Porto,1744-Ilha de Moçambique, 1810), musicada por compositor anônimo da mesma época (Marcos Portugal?) - Sucede, Marília bela/Já, já me vai Marília

11. Anonimo (Recueilli par Von Martius entre 1817 et 1820) - Landum

12. Anonimo (Recueilli par Von Martius entre 1817 et 1820) - Acaso são estes

13. Anonyme (Recueilli par Mário de Andrade, 1930) - Lundum para piano

14. Pe. José Maurício Nunes Garcia (1767-1830, Rio de Janeiro, RJ) - Beijo a mão que me condena

15. Pe. José Maurício Nunes Garcia (1767-1830, Rio de Janeiro, RJ) - Lição 5ª

16. Pe. José Maurício Nunes Garcia (1767-1830, Rio de Janeiro, RJ) - Você trata amor em brinco

17. J. F. Leal (fins du XVIIIème siècle, début XIXème) - Esta noite

18. Joaquim Manoel Gago da Camara (fin du XVIII siècle, début XIXème. Arrangé pour chant et piano par Sigismond Neukomm) - Desde o dia em que eu nasci

19. Joaquim Manoel Gago da Camara (fin du XVIII siècle, début XIXème. Arrangé pour chant et piano par Sigismond Neukomm) - Vem cá, minha companheira

20. Joaquim Manoel Gago da Camara (fin du XVIII siècle, début XIXème. Arrangé pour chant et piano par Sigismond Neukomm) - Por que me dizes chorando

21. Joaquim Manoel Gago da Camara (fin du XVIII siècle, début XIXème. Arrangé pour chant et piano par Sigismond Neukomm) - Estas lágrimas sentidas

22. Xula carioca - Onde vás linda negrinha

23. Cândido Ignácio da Silva (1800-1838) - Lá no largo da Sé velha



Referência: O livro de Ouro da MPB - Ricardo Cravo Albim

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