Mostrando postagens com marcador Bahia 80. Mostrar todas as postagens

3 Clássicos do Carnaval da Bahia - Vida Boa

3 Clássicos do Carnaval da Bahia - Vida Boa



"Luar no mar vendo a canoa passear..." ... Quem não conhece essa frase do cancioneiro popular da Bahia?

"Vida Boa"é a segunda faixa do disco Folia Elétrica (1982), quando o grupo musical da família Macêdo já sustentavam a nova nomenclatura - Armandinho e o Trio Elétrico Dodô & Osmar - e, cronologicamente, também é o segundo dos três grandes clássicos do Carnaval da Bahia.

Assim como "Chão da Praça", "Vida Boa" também foi composta por Fausto Nilo, porém, dessa vez em parceria com Armandinho Macêdo. Gravada em Folia Elétrica pelo próprio Armandinho, "Vida Boa" tornou-se um hino da baianidade que, em suas entrelinhas retrata exatamente quem é o baiano: em resumo "um ser" que vive numa terra com influencia das águas e dela tira seu sustento e sua diversão, "um ser" que sonha com uma vida melhor e que sabe a importância de correr atrás para transformá-lo em realidade, que sabe valorizar as boas amizades e que sabe reconhecê-las em qualquer circunstancia, assim como não abre mão de viver seus amores da maneira mais dengosa possível.

Vida Boa
Armandinho e Fausto Nilo

Luar no mar
Vendo a canoa passear
E a vida boa passa
Do real que há, coração
Será que tá boa?

Na paz depois
Depois da paz
Eu quero paz
Aonde um sonho vai
Meu sonho vai
Meus sonhos vão

A parte quente
De repente tá na mão
Meu coração

Você que faz
A minha vida variar
Tá na luz que passar pelo ar
Passa também pelo seu olhar
Ai morena passa o que eu sonhar
Que mágica boa

Meu amor cadê você
Olê olê olá
Ei você olê olá

Olê olá que
Pra essa canoa não virar
E a vida boa na cabeça vadiar, coração
Será que tá boa?

Na paz depois
Depois da paz
Eu quero paz

Aonde você vai
Meu sonho vai
Meus sonhos vão
A parte quente que
Presente a sua mão
Meu coração

Você que faz a minha vida variar
Tá na luz que passa pelo ar
Passa também pelo meu olhar
Ai morena abraça se eu chorar
Que mágica doida

Meu amor cadê você
Olê Olê Olá
Ei você olê olá

3 Clássicos do Carnaval - Chão da Praça


3 Clássicos do Carnaval da Bahia
"Chão da Praça"



Sob o som do Trio Elétrico Armandinho, Dodô & Osmar, temos pelo menos 3 clássicos do carnaval da Bahia: "Chão da Praça", "Vida Boa" e "Chame Gente" - vamos relembrar?

Segue a letra:

Chão da Praça
(Moraes Moreira e Fausto Nilo)

Olhos negros cruéis, tentadores das multidões sem cantor
Olhos negros cruéis, tentadores das multidões sem cantor

Meu amor quem ficou nessa dança meu amor
Tem fé na dança
Nossa dor meu amor é que balança nossa dor
O chão da praça (2x)

Vê que já detonou som na praça
Porque já todo pranto rolou
Olhos negros cruéis, tentadores
Das multidões sem cantor
Olhos negros cruéis, tentadores
Das multidões sem cantor

Eu era menino, menino um beduíno com ouvido de mercador
Lá no oriente tem gente com olhar de lança na dança do meu amor (2x)

Tem que dançar a dança
Que a nossa dor balança o chão da praça (2x)


Meu amor quem ficou nessa dança meu amor
Tem fé na dança
Nossa dor meu amor é que balança nossa dor
O chão da praça (2x)

Vê que já detonou som na praça
Porque já todo pranto rolou
Olhos negros cruéis, tentadores
Das multidões sem cantor
Olhos negros cruéis, tentadores
Das multidões sem cantor

Eu era menino, menino um beduíno com ouvido de mercador
Lá no oriente tem gente com olhar de lança na dança do meu amor (2x)

Tem que dançar a dança
Que a nossa dor balança o chão da praça

"Chão da Praça"está no disco Ligação (1978) de Armandinho e o Trio Elétrico Dodô & Osmar.

Banda Fuzuê - Banda Fuzuê (1993)


Banda Fuzuê - Banda Fuzuê (1993)



Escutar este disco da Banda Fuzuê nos possibilita uma verdadeira viagem no tempo. Um dos motivos é a sonoridade alcançada pela banda naquele momento em que a música baiana seguia por um outro caminho, mais contemporâneo. Uma parcela das bandas e músicos continuava a fazer o mesmo tipo de música, dando uma continuidade ao samba-reggae menos percussivo e com mais metais. No meio de algumas dezenas de bandas estava a Fuzuê.

Em seu disco de estreia Banda Fuzuê (1993), eles trazem o que, sem dúvida um dos maiores sucessos da música baiana "Buzu" - gravada na voz de Malu Soares que dividia o vocal com o cantor Nanny Assis. A música, composta pelo mestre da música baiana Tonho Matéria, foi cantada exaustivamente no carnaval da época. Curioso que, além de sucesso nas rádios, era cantada pelas pessoas na rua como uma espécie de crítica ao transporte público da cidade, aliás, muitas vezes ainda se escuta essa música como crítica. No disco constam ainda uma versão para "Avisa Lá", gravada inicialmente pelo Olodum e "Guerreiro de Jah" que foi muito cantada nas ruas, mas que não muito tocada nas rádios.

Surpresa: Para quem não sabe, o Maestro Bira Marques, da Orquestra Afrosinfônica era tecladista da banda e foi o arranjador deste disco.

Lista de músicas:

1. Se toque
2. Tapete Preto
3. Cascalho de Pedra
4. Tanto Faz
5. Buzu
6. Flores de Setembro
7. Avisa Lá
8. Guerreiro de Jah
9. Me vestia de alegria
10. Cigana Nagô
11. Poeira no Pé
12. Puro feito fruto


Banda Avatar - Lambadas Vol.1 (1988)


Banda Avatar - Lambadas Vol.1 (1988)



A banda baiana Avatar, fez grande sucesso no final da década de 1980 e início de 1990. Aproveitando a grande onda de ritmos latinos e da lambada, ritmo caribenho que invadiu o Brasil nessa época, a banda fez muito sucesso. Seu repertório era composto basicamente por versões para hits da lambada francesa e de países latinos. No currículo da banda, temos o registro de dois LPs, porém, neste post trazemos aqui um breve comentário sobre o primeiro: Lambadas Vol.1 (1988).

Abre o disco "Isso é bom", versão para a famosa "Cuisse La" conhecida também como "Melô do Tipiti"ou ainda "Wipitipiti", música do Les Aiglons, lançada no Brasil no volume dois da série de discos Lambadas Internacionais. No vocal do Avatar está um dos ícones da música baiana dos anos 1980, Ademar Andrade (Furtacor), responsável por ritmar as versões em português. Outro grande sucesso da época foi "Truzulu da Marieta", segunda faixa do disco.

Impossível ignorar, "Mulé Fubanga", para nós o maior sucesso extraído desse disco, curiosamente não cantada por Ademar, mas sim por Meg Evans, voz feminina da banda. Foi gravada, ainda para este mesmo disco, uma versão de "Lambada" (do grupo Kaoma), que no álbum foi registrada como "Dançando lambada".

Lista de Músicas:

1. Isso é bom
2. Truzulu da Marieta
3. Lambadeiro do Amor
4. Mulé Fubanga
5. America In Bahia
6. Tô gamado em Você
7. Melo da Cajá
8. Dançando Lambada

Letra

Mulé Fubanga

Oyê, papasito
Ai, ai, ai

Não venha com essa bomba
Que eu não sou mulé fubanga
Que eu não sou mulé fubanga
Que eu não sou mulé fubanga

Não venha que é nenhuma
Que eu não sou mulé fubanga
Que eu não sou mulé fubanga
Que eu não sou mulé fubanga

Tira a mão daí ladrão
Tira a mão dai ladrão
Tira a mão daí ladrão do meu coração

Ligeiro amor, ligeiro
Mainha tá chamando
Ligeiro amor, ligeiro
Painho tá chegando

Ai, ai, amor
Que eu não tô mais aguentando
Ai, ai, amor
Que eu tou quase desmaiando
Ai, ai amor
Tou com a perna bambeando

Não venha com essa bomba
Que eu não sou mulé fubanga
Que eu não sou mulé fubanga
Que eu não sou mulé fubanga

Não venha que é nenhuma
Que eu não sou mulé fubanga
Que eu não sou mulé fubanga
Que eu não sou mulé fubanga

Banda Made In Bahia - Liberdade (1988)


Banda Made In Bahia - Liberdade (1988)



Para a música baiana, os anos 1980 foram historicamente, uma década marcante. Entre tantos sucessos musicais que emergiram de toda a cidade, pelo menos três em 1988, surgiram do mesmo disco. Liberdade, da banda Made In Bahia, lançado pela Continental, reunia um forte grupo de compositores e artistas e tornou-se um importante disco de nossa música popular, porém, não lhe foi dada tanta atenção.

Os três grandes sucessos do disco foram "Pim Pirilim Pim Pim", de Gerson Brasil, "Revoluções" de Tenilson dos Anjos Casaes e Sergio Roberto Barbosa e "Liberdade" de Nelly Santana e Mara Mel.  - aliás, é de Mara Mel a voz feminina da banda. Destes três sucessos, dois foram registrados na voz da cantora ("Pim Pirilim Pim Pim" e "Liberdade").

Nesse segundo disco da banda Made In Bahia, gravado no lendário Estúdio WR, colaboraram ainda Carlos Pita, Ademar (Furtacor) Andrade, Edmundo e Luciano Carôso e Rey Zulu.

Liberdade (1988)
Lista de músicas:

1. Pim Pirilim Pim Pim
2. Revoluções
3. Concha da Ilha
4. Samba de São João
5. Estrelas e Balões
6. Liberdade
7. Baile do Coração
8. Mensagem ao Povo de Moçambique

A Cor do Som - Gosto do Prazer (1987)


A Cor do Som - Gosto do Prazer (1987)


Tentando superar uma forte crise de identidade, A Cor do Som surge em 1987 com um novo disco. Como sugere o título Gosto do Prazer, a ideia era resgatar o prazer de fazer música e, consequentemente, o sucesso do grupo que veio perdendo popularidade nos últimos dois anos. Até meados dos anos 1980, o mercado musical vinha sendo dominado por artistas e bandas que viessem - fossem de lá ou não - do sudeste do país. Ser do norte ou do nordeste era feio, brega e "demodê". Muitos grupos e bandas migraram para lá e sofreram (leia-se aceitaram ou se submeteram a) influencias em sua musicalidade para serem aceitos nacionalmente - talvez essa fosse a causa da perda de identidade de A Cor do Som. Mas seria mesmo a perda? Talvez não. Muitos encaram como uma renovação sonora ou mesmo um amadurecimento natural.

A verdade é que o tempo passou, o nordeste - principalmente a Bahia - se rebelou contra essa hegemonia musical imposta e revelou diversos artistas e possibilidades culturais. Paralelamente, muitas mudanças internas ocorreram em A Cor do Som e tudo isso interfere, positiva ou negativamente - nesse caso, das duas formas, basta dar uma espiada no histórico do grupo. Mas a verdade é que, mesmo com essa crise (e isso é uma conclusão minha) o disco é maravilhoso e muito superior ao anterior O Som da Cor (1985).

O novo álbum é rico em musicalidade e foi importante para o grupo, pois esse seria o seu último disco. Composto por melodias e letras fantásticas, alguns hits da banda saíram deste LP. Destacamos, primeiramente, o maior deles, "Gosto do prazer", que conta com participação especial de Gilberto Gil. Essa música, de sonoridade tão diferente das origens do A Cor do Som, foi parar na trilha sonora na telenovela Hipertensão (1987). Outro sucesso foi "Dança baiana", que estourou como uma das mais tocadas nas rádios da Bahia, entre 1987 e 1988. Destaco também "Olhar de espiã", meio baladinha, meio dançante.

E meses depois de Gosto do Prazer ter sido lançado, o grupo chega ao fim, mas para sorte dos apreciadores, alguns encontros posteriores aconteceriam. Tudo isso mostrou que os acertos foram maiores que os erros e que o grupo conseguiu sim colorir a música popular brasileira.

Lista de músicas:

1. Favelas
2. Gosto do prazer - part. especial Gilberto Gil
3. Dança baiana
4. Toda vez
5. Maria Caracoles
6. Olhar de espiã
7. Onde todos estão
8. Se segura malandro - part. especial Evandro Mesquita
9. Serenata Cynthias
10. Nova Cor (Como queria Lennon)
11. Menina dos Olhos
12. Som parati



Andréa Caldas - No Passo do Deboche (1986)

No passo de Andréa Caldas

Andréa Caldas

Muito antes da axé music ser permeada por beldades como Daniela Mercury, Ivete Sangalo e Emanuele Araújo (entre tantas outras), algumas lindas e talentosas cantoras desfilavam suas qualidades físicas e vocais pelos palcos de Salvador. Margareth Menezes e Marinez eram as mais populares, mas existia ainda uma outra figura tão importante quanto todas as citadas, por seu talento e pela coragem em enveredar por projetos dos mais diversos. A personalidade referida é Andréa Caldas.

Irmã do Pai da Axé Music ou do Rei da música baiana, Luiz Caldas, Andréa foi parceira do irmão em diversos empreendimentos. A cantora era aquela figura de apoio para muitos outros artistas como o venerado Gerônimo, com quem Andréa trabalha até hoje.

Além do apoio na produção de muitos nomes da música baiana, principalmente nos anos 1980, Andréa destacava-se pela voz doce e marcante, sendo assim, era constantemente convidada para trabalhos com novos artistas e muitos que estavam na batalha pelo reconhecimento profissional. Entre um trabalho e outro, entre uma gravação "pela amizade", Andréa precisava ter algo que chamasse de seu.

A oportunidade de gravar algo que tivesse a sua cara, veio por ocasião do lançamento do disco Frutos da Natureza, de seu outro irmão, também músico, Carlinhos Caldas. O disco lançado em 1986, conta com 10 faixas sendo duas delas gravadas por Andréa, as músicas seriam "No Passo do Deboche" e "Paraíso". "Paraíso" é diferente de todo o disco, cujo repertório é basicamente todo de forró. É uma faixa de pegada mais pop baiano da época e não chegou a tocar tanto. Porém, foi com a outra música que Andréa roubou a cena.

"No Passo do Deboche", composição da própria Andréa Caldas com o músico Altair Leonardo, tornou-se um dos maiores sucessos baianos nos anos 1986 e 1987, sendo que continuaria a ser tocada com frequência durante o ano de 1988. "No Passo do Deboche" foi concorrente forte com a principal música do disco "A Confissão do Tadeu", de Carlinhos Caldas, lançada para ser o sucesso junino daquele ano. A música está praticamente no meio do disco,  (4a faixa do Lado A) e ainda assim, fez com que toda a Bahia pudesse conhecer a dona da voz que abrilhantava os trabalhos de tantos artistas de renome.


Obs.: "Paraíso", também é fruto da parceria entre Andréa e Altair.

A Cor do Som - O Som da Cor (1985)


A Cor do Som - O Som da Cor (1985)



Chega 1985 e uma onda New Wave invade a música em todo o mundo. Quem não assumiu a musicalidade punk eletrônica, entre as características do movimento, aderiu à moda no visual, fosse nas roupas, acessórios ou no cabelo. Essa novidade acabou pegando também A Cor do Som e o reflexo disso pode ser visto em O Som da Cor (1985).

O disco foi lançado com "os meninos" já incorporados ao New Wave, mas o maior impacto foi impresso nas faixas do disco. Sofrendo nitidamente essa interferência musical, as músicas ganharam uma melodia com pegada mais acelerada e "moderna", colocando o samba totalmente de lado e priorizando uma sonoridade quase que institucionalizada pelo sudeste do país.

Essa mudança sonora e a incorporação de elementos sonoros que sugerissem modernidade na música de A Cor do Som, deve ter sido um reflexo direto das mudanças que o grupo sofreu na época. Armandinho saiu em 1981 e foi substituído por Victor Biglione, que manteve a mesma musicalidade da banda. Nesse disco, em particular, a banda gravou sem Victor que foi substituído por Pedrinho Santana, que participou dos dois discos anteriores.

"Arrastando corrente", um rock moderno para a época, refletia outra das influências da época. "Som da cor" e "Ela vai ter que me escutar", são puro New Wave. A canção mais próxima do estilo que consagrou o grupo é "Vida que passamos" e "Tudo o que você quiser", são das poucas que ainda encontramos um pouco do som feito por eles em outros discos. "Bomba no vestibular" é um dos poucos reggaes gravados pelos meninos, mas de forma geral, o disco é regido pelo pop rock que se desenhava na época (influenciados pelo New Wave) e variação dos vocais nas músicas.

No fim das contas não desejo criticar negativamente, só destaco esse disco como um rompimento quase que completo com a antiga sonoridade que popularizou o grupo por todo o país e que só seria reencontrada anos depois, após os músicos originais decidirem reunir-se novamente para um ou dois projetos isolados.

O Som da Cor (1985)
Lista de músicas

1. Arrastando Corrente
2. Som da Cor
3. Ela vai ter que me escutar
4. Vida que passamos
5. Que flor é você?
6. Acho que ela gosta
7. Eu quero é bem mais
8. Navegante
9. Tudo o que você quiser
10. Bomba no vestibular

A Cor do Som - Intuição (1984)


A Cor do Som 1984 Intuição


Depois de tantas idas e vindas, de tantas mudanças, o grupo musical A Cor do Som decide rever seus conceitos e volta ao ponto inicial. Já haviam se passado seis anos desde o último disco instrumental da banda. O curioso é que este disco não é composto somente por faixas inéditas, entre elas mistura-se parte do instrumental composto pela banda e que já havia sido apresentado em seus discos anteriores.

O LP é aberto com a canção "Intuição", faixa que nos remete a uma nova sonoridade a ser mostrada pelo grupo. Muito bem executada, cumpre seu objetivo mostrando como será a nova fase do grupo. "Apanhei-te Mini-Moog" é uma referência a "Apanhei-te Cavaquinho", de Ernesto Nazaret. "Massaranduba" é uma das melhores e está neste disco também. "Do Lado de Lá" e "Cambalachero" fecham o disco com um clima bem positivo, pra cima.

Lista de músicas

Lado A
1. Intuição
2. Loro
3. Fantasia Nordestina (Parte 1)
4. Bilhete pra Armandinho

Lado B
5. Apanhei-te Mini-Moog
6. Massaranduba
7. Do Lado de Lá
8. Cambalachero

Os Corujas - Corujas 20 anos: Carnaval Consagração (1983) - compacto


Os Corujas - Corujas 20 anos: Carnaval Consagração (1983)




Em 1963, desfilava pela primeira vez no Carnaval da Bahia, o Bloco Clube dos Corujas. Ao passar do tempo, bloco carnavalesco foi fortalecendo e chega ao ano de 1983 como um dos mais importantes da Bahia.

Justamente no ano em que comemoraram 20 anos de existência, Os Corujas (como passaria a ser chamado, posteriormente), decide lançar um disco comemorativo. O compacto Corujas 20 anos: Carnaval Consagração lançado em 1983, traz duas faixas com músicas para serem tocadas no Carnaval. No lado A, "Carnaval na Avenida Sete", na voz de Suzana, composição de Raimundo da Rocha Lyra, também conhecido como Mundico. Já no lado B, foi na voz de Paulinho que foi registrada "Um Verso do Meu Coração", de Orlando Rangel.


Contracapa do compacto lançado em 1983.


Constam ainda na ficha técnica do disco:

Carlos Júlio - Coordenação de Estúdio
Bolinha e Nova - Arranjos de cordas
Francisco (Chico), Zizimo e Reinaldo - Sopros
Roberto (Metralha) - Percussão e teclados
Nestor - Gravação e mixagem

Corujas 20 anos: Carnaval Consagração (1983)
Lista de Músicas:
1. Carnaval na Avenida Sete
2. Um Verso do Meu Coração

Se quiser escutar o disco, clica AQUI!

A Cor do Som - As quatro fases do amor (1983)

A Cor do Som - As quatro fases do amor (1983)



Inaugurando uma musicalidade, agora inserindo elementos que deixam sua música com um ar mais moderno, mas conseguindo manter a leveza de outrora, A Cor do Som lança As quatro fases do amor (1983). Algumas mudanças foram reflexo da saída de Armandinho Macêdo, mas possivelmente, muitas outras foram mesmo uma questão de marcado.

As quatro fases do amor é um disco dançante e animado jovem, assim como os demais trabalhos do grupo. Apesar das mudanças, a qualidade das músicas não cai. As letras continuam incríveis. O ponto alto deste disco é, sem sombra de dúvidas, é "Dentro da Minha Cabeça", de Gerônimo e Lula Queiroz. "A Abóbada da vida" foi composta por Gilberto Gil, enquanto "Flor de Incendiária" é de autoria de Guilherme Arantes. Em "Um som pra você", conta com participação de Cecília Spyer.

Lista de músicas

1. As quatro fases do amor
2. Dentro da minha cabeça
3. Eu sempre quis andar de Jeep
4. Primeiro Olhar
5. Um som pra você
6. Era de Aquários
7. Das maravilhas do mar fez-se o esplendor de uma noite
8, A Abóbada da vida
9. Flor Incendiária
10. Falsos Rubis
11. Lua pra ti
12. Rio de Janeiro

Trio Elétrico Tráz os Montes - Watts Mil de Prazer (1982)

Trio Elétrico Tráz os Montes - Watts Mil de Prazer (1982)



A banda Tráz Os Montes foi criada para acompanhar o bloco de mesmo nome. Contando com um grupo de excelentes músicos, chegou a lançar pelo menos dois discos, ambos em 1982. Um deles com a banda Scorpius que, naquele momento seria relançada com um novo nome, Chiclete com Banana. Essa jun';cão, na verdade, surgiu meio que como uma formalidade para apresentação da Chiclete, que era uma das bandas principais do Bloco e Trio Tráz os Montes.

Mas o foco desse texto é o outro disco da Tráz os Montes, Watts Mil de Prazer (1982). O disco é incrível, hoje um dos mais raros da música baiana. A sonoridade carnavalesca da época é a tônica do disco que conta com composições de nomes emblemáticos da MPB, como por exemplo, Tuzé de Abreu ("Vivendo em Paz"), Alceu Valença e Vicente Barreto ("Tropicana") e, ainda, a dupla Jorge Alfredo e Chico Evangelista ("Esperando Badauê").



Lista de músicas

1. Quanto mais quente melhor
2. Negro Nagô
3. Afrodizíaca
4. Watts mil de prazer
5. Vivendo em paz
6. Tropicana
7. Menina ao vento
8. Acorda pra cuspir
9. Esperando badauê
10. Frevo diminuto


A Cor do Som - Magia Tropical (1982)


A Cor do Som - Magia Tropical (1982)



Nesse sexto disco, o grupo musical A Cor do Som, mantém um nível altíssimo de qualidade, tanto nos arranjos quanto nas letras. Magia Tropical (1982), assim como seu antecessor Mudança de Estação (1981), foi lançado pela gravadora Elektra/WEA - os quatro anteriores saíram pela Atlantic.

A faixa que dá título ao álbum, é também responsável pela abertura do mesmo, composta por Mu Carvalho e Evandro Mesquita. Apesar da pegada dançante é cantada de maneira leve, típica canção do grupo. Destacamos também "Menino Deus", uma linda poesia de Caetano Veloso, canção de contexto bastante ousado para época. Diferente do que se pensa, ela não se refere a um 'Deus menino', mas sim, à beleza humana ou ainda à beleza de um ser humano. Flor de Alecrim é outra música que merece destaque, tamanha beleza de sua letra.

Talvez este seja o mais tocante álbum do grupo, pra saber só ouvindo!

Lista de músicas


1. Magia Tropical - Mú Carvalho e Evandro Mesquita
2. Menino Deus - Caetano Veloso

3. Goma de Mascar - Gilberto Gil

4. Ping-pong - Mú Carvalho / Victor Biglione

5. Flor de Alecrim - Mú Carvalho / Paulinho Tapajós
6. Sargento Pimenta e a Banda Solidão - Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band (John Lennon / Paul McCartney / Vrs. Gilberto Gil
7. A Semente Mágica - Mú Carvalho
8. Razão - Paulo Leminski
9. Outras Praias - Victor Biglione
10. O Balão Vai Subir - Mú Carvalho
11. Eternos Meninos - Mú Carvalho / Paulinho Tapajós







A Cor do Som - Mudança de Estação (1981)

A Cor do Som - Mudança de Estação (1981)



Depois do sucesso de Transe Total (1980), A Cor do Som tem a "responsabilidade" de apresentar um novo disco tão bom quanto o anterior. Considerando a genialidade dos músicos que compunham o grupo, seria um trabalho relativamente fácil. Será?

A abertura de Mudança de Estação (1981), já carrega em si uma mudança sonora perceptível, a instrumental "Saudação à Paz" é a responsável por avisar ao pública que, realmente, tem mudanças por vir! "Zero" reforça as transformações do grupo, que vão se tornando mais claras com o passar do disco. Deste disco saem pelo menos mais dois clássicos do grupo, "Asas Musicais" e "Alto Astral". 
"Apanhei-te Mini-Moog" é uma referência clara a "Apanhei-te Cavaquinho" de  Ernesto Nazaret. Não deixemos passar a polka/ maxixe "Cinema Mudo", toda tocada ao piano.

"Mudança de Estação", faixa título, apresenta-se como uma levadinha pop, mas fala de amores juninos típicos do nordeste brasileiro, um bom contraste cultural. Aliás, este é um disco de contrastes. Nele fica ainda mais clara a diferença entre as canções letradas e as instrumentais. Para nossa sorte, ambas de qualidade incontestável.
Lista de músicas

1. Saudação à Paz
2. Zero
3.  Ar de Baião
4. Asas Musicais
5. Alto Astral
6. Apanhei-te Mini-Moog
7. Escapuliu, Tudo Areia
8. Mudança de Estação
9. Swingue
10. O Show Não Tem Final
11. Vôo da Borboleta
12. Cinema Mudo
13. Ciranda das Estrelas
14. Boa Vibração

Acordes Verdes - Acordes Verdes (1981) - compacto

Acordes Verdes - Acordes Verdes (1981) - compacto


É possível aceitar que tenha sido tomado como marco para o surgimento da Axé Music o lançamento do disco Magia, de Luiz Caldas, em 1985. Impossível, para mim, é esquecer o que veio antes de tudo isso, principalmente tudo o que foi feito pelo próprio pai do novo estilo.

Mesmo antes de ficar famoso com "Fricote", Luiz Caldas era um músico já tarimbado, mesmo muito jovem e dono de uma boa bagagem musical. Sua estreia para o grande público baiano foi em 1979, com a faixa "Oxumalá", do LP Ave Caetano da Banda Trio Elétrico Tapajós. Entre as experiencias mais marcantes está, justamente, a passagem pela banda Tapajós o que lhe possibilitou a formação da banda Acordes Verdes, que de fato o entregou aos braços do público baiano. Aliás, um momento de ruptura definitiva à música importada fosse estrangeira, fosse a indicada pelo sudeste de nosso país. O grande parceiro de Luiz não poderia ser outro senão Carlinhos Brown, outra potencia da música da Bahia e que também fazia parte da Acordes Verdes.

A banda Acordes Verdes foi tomando forma em meados de 1979 e, em 1981, lança seu primeiro compacto com as faixas (do lado A) "O Beijo" de Luiz Caldas e João Batera e, (lado B) "Como um Raio" de Luiz Caldas. Mais duas músicas foram relacionadas à Acordes Verdes, uma delas "Axé Pra Lua", que faz parte do disco Jubileu de Prata (1980), da banda Tapajós, faixa que conta com os vocais de Luiz. A outra, "Acordes Verdes" é também da banda Tapajós, porém do disco Cristal Liso (1982), também com participação de Luiz.

O disco Acordes Verdes fez um grande sucesso na época. Assina a produção o mago da música baiana, Wesley Rangel. Já a capa foi um trabalho realizado pelo artista Pedro Rocha, e mostra um casal nu, deitado na grama. Gravação e Mixagem ficaram sob responsabilidade de Nestor Madrid e Fernando Grundlach.

Lista de Músicas:

1. O Beijo
2. Como um Raio

Formação da banda Acordes Verdes

Luiz Caldas - Guitarra Baiana, Guitarra e Voz
Cezinha - Bateria
Carlinhos Marques - Contrabaixo
Alfredo Moutra - Teclados
Tony Mola e Carlinhos Brown - Percussão
Paulinho Caldas e Silvinha Torres - Voz e vocal

Letra

O Beijo
(Luiz Caldas e João Batera)

Hei, você pode até me querer
Eu quero, quero, beijo, beijo
Vou beijar você até o sol raiar
Quando a esperança
É como lança nas lembranças
Nas corridas que nos levam sem parar
Quero beijo, quero beijo, quero beijo
Quero te beijar

Hei, você venha logo pra cá
O que é que tu espera
Dessa vida fera, ou do Carnaval
Quando a esperança
É como lança nas lembranças
Nas corridas que nos levam sem parar
Quero beijo, quero beijo, quero beijo
Quero te beijar

Acordes Verdes
Leva o povo atrás do trio
Essa dança lance lança
E o beijo há mais de mil

Pepeu Gomes - Pepeu Gomes (1981)

Pepeu Gomes - Pepeu Gomes (1981)



Dia de escutar Pepeu Gomes e seu disco Pepeu Gomes (1981). Ainda me surpreendi com a genialidade desse homem. Músico exemplar, para mim um dos melhores guitarristas do Brasil! e concordo eu com a nomeação futura de um dos melhores guitarristas do mundo. O disco produzido pela WEA, foi produzido por Guti.

Arrisquei aqui um comentário faixa a faixa, porém, sugiro que ouçam e tirem suas próprias conclusões. Particularmente, acho o disco fantástico e inovador, considerando a época de lançamento - um dos momentos mais criativos da MPB.


Lista de músicas:

1. Eu também quero beijar - Clássico da música popular brasileira. Soa como um ijexá pop. Todos precisam conhecer.
2. Agô Do Pé - As referências ao bloco afro Filhos de Ghandi são a base desse ijexá.
3. Calor Humano - Guitarra baiana marca a introdução e reina absoluta nesse super instrumental
4. Tema de Fé - revela uma giga sensual beirando um reggae com notas tropicais
5. Do Amor - Rockpopbaianosintetizado resume
6. Sonhar Acordado - "Acordado sonhar embriagado de luz" frase dessa balada fantástica cantada por Pepeu.
7. Tico-tico no Fubá - Clássico revisitado em formato instrumental pop típico do Pepeu.
8. Ela Né Flor Que Se Cheire - galope cheio de guitarras, fantástico e bem pensado!
9. 120 Wats de pura Distorção - Instrumental guitarras distorcidas e nada destoantes.
10. Percutindo - instrumental cheio de atabaques gritos indígenas, cantos populares e vozes do candonblé.


Letras

Eu também quero beijar
(Fausto Nilo, Moraes Moreira, Pepeu Gomes)

A flor do desejo
E do maracujá
Eu também quero beijar

Haja fogo, haja guerra
Haja guerra que há
Eu também quero beijar

Do Farol da Barra
Ao Jardim de Alah
Eu também quero beijar

Da pele morena
Daquela acolá
Eu também quero beijar

Beijo a flor
Mas a flor que eu desejo
Eu não posso beijar
Ai, amor
Haja fogo, haja guerra
Haja guerra que há
Teu cheiro
É o marinheiro do barco fantasma que vai me levar
Mundo inteiro
Haja fogo, haja guerra
Haja guerra que há
Festejo

Agô Do Pé
(Paulinho Camafeu e Pepeu Gomes)

Êh, Filho de Gandhy
Êh, Filha de Gandhy
Êh, neto de Gandhy
Êh, neta de Gandhy

Agô Do Pé, Baba
Baba Oni
Venha me salvar que eu sou Filho de Gandhy

Agô Do Pé, Baba
Baba Oni
Venha me salvar que eu sou Filho de Gandhy

Agô Do Pé

Agô Do Pé
Agô Agô
Agô Do Pé meu pai Xangô

Agô Do Pé
Agô Agô
Agô Do Pé Obaketô

A Cor do Som - Transe Total (1980)


A Cor do Som - Transe Total (1980)



Sabe aquele álbum que você escuta uma vez e,de cara, se apaixona? Foi assim com Transe Total, do grupo A Cor do Som. Lançado em 1980, o disco dá uma renovada no fôlego para o público do grupo musical, que vinha de uma pressão da gravadora para que colocassem letra em sua música instrumental. A mudança de formato não os afastou de seu público, na verdade os produtores acertaram. A partir do segundo disco, A Cor do Som conquistou ainda mais seguidores.

Transe Total (1980), é um disco bastante diverso. "Dança das Fadas" abre o disco de forma magistral. Mantendo a tradição instrumental, traz a ludicidade que o título sugere - realmente uma grande composição! Neste mesmo disco é apresentada a primeira gravação de "Palco", de Gilberto Gil, que só viria gravá-la e lançá-la no ano seguinte (1981). O mega afoxé "Zamzibar" também é apresentado neste disco, uma febre no ano de 1980! Este clássico composto por Fausto Nilo, foi registrado na voz de Armandinho Macedo e foi uma das músicas mais tocadas nos carnavais entre 1980 e 1985.

Merece destaque também "Semente do Amor", uma versão samba-pop instrumental para "Maracangalha", "Bruno e Daniel", com abertura incrível ao piano e continuada em dueto com violão. Não dá para ignorar a genialidade de "Para Ser o Sol" e "Transe Total", música que dá título ao álbum e que fecha LP.

Lista de Músicas

1. Dança das Fadas
2. Palco
3. Moleque Sacana
4. Farraforró
5. Zanzibar
6. Massaranduba
7. Semente do Prazer
8. Maracangalha
9. Bruno e Daniel
10. Para Ser o Sol
11. Transe Total

Letras

Palco
(Gilberto Gil)

Subo nesse palco
Minha alma cheira a talco
Como bumbum de bebê, de bebê
Minha aura clara
Só quem é clarividente pode ver, pode ver
Trago a minha banda
Só quem sabe onde é Luanda
Saberá lhe dar valor, dar valor
Vale quanto pesa
Pra quem preza o louco bumbo do tambor, do tambor
Fogo eterno pra afugentar
O inferno pra outro lugar
Fogo eterno pra consumir
O inferno, fora daqui
Venho para a festa
Sei que muitos tem na testa
O Deus-Sol como um sinal, um sinal
Eu como devoto
Trago um cesto de alegrias do quintal, do quintal
Há também um cântaro
Quem manda é Deus a música
Pedindo pra deixar, pra deixar
Derramar o bálsamo
Fazer o canto cantar
O cantar
Fogo eterno pra afugentar
O inferno pra outro lugar
Fogo eterno pra consumir
O inferno, fora daqui

Zanzibar
(Armandinho e Fausto Nilo)

O azul de Gezebel*
No céu de Calcutá
Feliz constelação
Reluz no corpo dela
Ai tricolor colar
Ás de maracatu
No azul de Zanzibar
Ai meu coração
Zumbiu no corpo dela
Ai, mina aperta a minha mão
Alah, meu only you
No azul da estrela
Aliás, bazar da coisa azul
Meu only you
É muito mais
Que o azul de Zanzibar
Paracuru, o azul da estrela
O azul da estrela

- Copyright © MPB Bahia - Skyblue - Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan -