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Não Vou Te Deixar
por Zé Ricardo Oliveira
Em única apresentação que acontece hoje em Salvador, SuperFly mata saudades dos fãs mostrando que não esqueceram de seu público
Em única apresentação que acontece hoje em Salvador, SuperFly mata saudades dos fãs mostrando que não esqueceram de seu público
Imagem: Divulgação
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Há cerca de um mês, nas redes sociais, era divulgado um cartaz de um suposto show da banda SuperFly. Seria verdade? Sim, a mais pura verdade! O anúncio do show (única apresentação) pegou muita gente de surpresa, e fez com que muita gente manifestasse seu carinho pela banda baiana.
Composta por Jão (bateria), Adriano (baixo), Rick (guitarra) e Bruno Masi (ex-Galo), a banda fez enorme sucesso na cena rock (ou rocker, na época) no início dos anos 2000, tocando rock em algumas de suas principais vertentes. Só para se ter noção, eles são responsáveis por um fato único, na Bahia, liderar as vendas de discos (mesmo independente) em 2001 dentro do período do Carnaval baiano.
As apresentações "dos caras" eram uma verdadeira explosão, uma exposição clara do desejo de mostrar que na Bahia tem rock, sim. Além deles, muitas bandaslutavam por isso e passavam por sérios perrengues para se manter na cena, como Inkoma (antiga banda de Pitty), The Dead Billis, Lisergia, Úteros em Fúria, Dois Sapos e Meio e (Dr.) Cascadura - essa última, uma prova de que qualidade e persistência precisam andar de mãos dadas. Os shows sempre lotados, mostravam claramente a aceitação do público apesar de que, nos bastidores do rock baiano, alguns torciam o nariz para o SuperFly.
Foram dois álbuns lançados, inúmeros sucessos nas rádios e até trilha sonora de novela. "Transeira", "Sozinha", "Jaguar", "Cabeça de Cera" e "Jogo Velho" são só algumas das músicas que marcaram época.
O show de hoje é mais do quem um show para fãs - é pra quem gosta de bom som! Ir ao show do Superfly hoje é mais do que simplesmente ver como eles se sairão e sim, uma oportunidade de ter contato com pessoas que lutaram para mostrar que cultura na Bahia pode ter muitos outros nomes.
Serviço:
O Que: SuperFly - Apresentação única
Quando: 05/09/2013, às 22h
Onde: Tarantino Art Bar - Rua Augusto Frederico Schmidt, 177 - Jardim Brasil/ Barra.
Contato: (71) 3015-4474 / 9222-0798 atendimento@hmusic.com.br
Brazil · facebook.com/ TarantinoArtBar
A Cor do Som - Ao Vivo no Circo (1996)
A Cor do Som - Ao Vivo no Circo (1996)
Na maioria dos casos os "revivals" de grupos musicais, que ficaram inativos por muito tempo, ou que mudaram de formação (de forma natural) são sempre muito bem sucedidos. Se os músicos envolvidos forem realmente bons e a produção for levada à sério, a possibilidade do resultado ser ainda melhor, são bem possíveis. Em alguns casos, quando essas duas características positivas são unidas ao desejo de realizar um trabalho de qualidade, o resultado é realmente pode superar todas as expectativas. E é assim que vejo A Cor do Som Ao Vivo no Circo (1996) - na minha humilde opinião, é uma das melhores reuniões de ex-membros de grupo ou grupo musical inativo.
Reuniram-se para o gravar o disco Armandinho Macedo, Ary Dias, Dadi Carvalho, Gustavo e Mú Carvalho. O grupo estava afiadíssimo. A vontade de tocar ficou ainda mais clara com o passar de cada música. Não adianta descrever o que achei do disco, pois nada substitui a experiência de você mesmo(a) escutar o álbum e tirar suas próprias conclusões. Mas vamos lá! "Beleza Pura", canção que abre o disco, chega a arrepiar. O mash-up "Zero" + "Abri a Porta", ficou incrível. "Menino Deus" ainda mais emocionante - dá pra perceber a euforia da platéia durante toda a apresentação.
Foi inserido no repertório também uma versão de "Yesterday", dos Beatles, com a emocionante execução de Armandinho e sua guitarra baiana. "Suingue Menina - Semente Menina" está fantástica. "Frutificar" e "Pororocas" parecem que nunca deixaram de ser tocadas pelos músicos. "Dentro da Minha Cabeça" recebeu arranjos mais joviais e está tão boa quanto a original. Arrepia quando o público responde cantando junto com o grupo. O disco é fechado por "Zanzibar", numa versão mais ritmada e menos afoxé, mas com bons arranjos e excelente execução - aliás, não poderíamos esperar menos desses mestres todos juntos.
Lista de músicas:
1. Beleza Pura
2. Zero + Abri a Porta
3. Mudança de Estação
4. Onde Todos Estão
5. Pororocas
6. Menino Deus
7. Yesterday
8. Suingue Menina - Semente Menina
9. Frutificar
10. Dentro da Minha Cabeça
11. Zanzibar
Vânia Abreu - As Quatro Estações (1995)
Vânia Abreu - As Quatro Estações (1995)
Mesmo as músicas mais dançantes com pegada próxima da axé music, não soa parecido com nada feito na Bahia. O disco de estreia da cantora fez sucesso por todo o Brasil, chegando a ter músicas inseridas em trilhas de filme e novelas - "Meu sonho não", para o filme Fica Comigo, de Tizuka Yamazaki e "As Quatro Estações", novela Maria Esperança, do SBT.
A faixa título "As Quatro Estações" abre o disco e toca profundamente, assim como "Eclipse", balada cheia de personalidade em sua melodia. Impossível não se ligar também em "Samba-Reggae de rasteira" e "Procure a sua estrela". Não dá pra ficar parado com "Bem ou Mal" e mais ainda, com "Modernidade Negra", uma samba-reggae-pop de alta qualidade! Uma grande surpresa é "Meu sonho não". Fecham o disco as encantadoras "Templo" e o samba "Alegria".
Lista de Músicas:
1. As Quatro Estações
2. Do jeito que tem que ser
3. Eclipse
4. No meio da noite
5. Jogando Charme
6. Samba-Reggae de rasteira
7. Bem ou Mal
8. Procure a sua estrela
9. Modernidade Negra
10. Meu sonho não
11. Templo
12. Alegria
Tony Mola e Bragadá - Bragadá (1995)
Tony Mola e Bragadá - Bragadá (1995)
Muita gente já ouviu falar de Tony Mola, importante percussionista baiano. O que pouca gente lembra é que foi ele um dos fundadores do Bragadá, grupo musical com base percussiva que fez bastante sucesso em meado dos anos 1990 e início dos anos 2000. Logo depois, a partir de uma ruptura de interesses, o Bragadá se separa e a parte da banda dá origem a outro grupo, os Bragaboys.
No inicio, do Bragadá, capitaneado por Mola, lançaram alguns disco, porém destacamos aqui o disco de estréia Bragadá (1995). Este disco veio recheado de boa música, sendo daqueles raros discos que se escuta mais de uma vez com a impressão de ser sempre a primeira vez.
Verões na Bahia são sempre marcados por uma ou duas músicas que tocam exaustivamente na rádio, com Bragadá, a coisa foi mais pesada. O resultado da força da percussão do grupo refletiu na energia das músicas, apesar de algumas terem ficado mais conhecidas, o disco é maravilhoso!
Quem não dançou maliciosamente ao som de "Pega Pega"? Quem não repetiu a coreografia de "Tribal"? Quem não sacudiu ao som de "Vem Benzinho"?. Não estranhe, ao escutar Bragadá, pois, neste disco, a banda contava com uma vocalista feminina (ainda não conseguimos identificar o nome).
Lista de músicas:
1. Pega Pega
2. Tribal
3. Abracadabra
4. Vem Benzinho
5. Arma Som
6. Tem Dendê
7. Baby
8. Degrau
9. Abedê
10. Pisa na Barata
Banda Fuzuê - Banda Fuzuê (1993)
Banda Fuzuê - Banda Fuzuê (1993)
Escutar este disco da Banda Fuzuê nos possibilita uma verdadeira viagem no tempo. Um dos motivos é a sonoridade alcançada pela banda naquele momento em que a música baiana seguia por um outro caminho, mais contemporâneo. Uma parcela das bandas e músicos continuava a fazer o mesmo tipo de música, dando uma continuidade ao samba-reggae menos percussivo e com mais metais. No meio de algumas dezenas de bandas estava a Fuzuê.
Em seu disco de estreia Banda Fuzuê (1993), eles trazem o que, sem dúvida um dos maiores sucessos da música baiana "Buzu" - gravada na voz de Malu Soares que dividia o vocal com o cantor Nanny Assis. A música, composta pelo mestre da música baiana Tonho Matéria, foi cantada exaustivamente no carnaval da época. Curioso que, além de sucesso nas rádios, era cantada pelas pessoas na rua como uma espécie de crítica ao transporte público da cidade, aliás, muitas vezes ainda se escuta essa música como crítica. No disco constam ainda uma versão para "Avisa Lá", gravada inicialmente pelo Olodum e "Guerreiro de Jah" que foi muito cantada nas ruas, mas que não muito tocada nas rádios.
Surpresa: Para quem não sabe, o Maestro Bira Marques, da Orquestra Afrosinfônica era tecladista da banda e foi o arranjador deste disco.
Lista de músicas:
1. Se toque
2. Tapete Preto
3. Cascalho de Pedra
4. Tanto Faz
5. Buzu
6. Flores de Setembro
7. Avisa Lá
8. Guerreiro de Jah
9. Me vestia de alegria
10. Cigana Nagô
11. Poeira no Pé
12. Puro feito fruto
Daniela Mercury - O Canto da Cidade (1992)
Daniela Mercury - O Canto da Cidade (1992)
O Canto da Cidade é o segundo álbum solo da cantora Daniela Mercury. Neste novo trabalho a cantora apresenta uma identidade musical ainda mais forte que no primeiro disco Daniela Mercury - também conhecido como Swing da Cor. Antes destes dois discos, a cantora havia lançado pelo menos dois discos com sua antiga banda a Companhia Clic.
Em O Canto da Cidade, Daniela reafirma sua forte relação com o samba-reggae, mas não deixa de brincar com novas possibilidades. A faixa de abertura é a que da nome ao disco. Forte, mas de letra fácil de ser absorvida, "O Canto da Cidade", traz a conhecida frase "A cor dessa cidade sou eu/ O canto dessa cidade é meu", em que Daniela dá voz à raça e à musicalidade negra baiana - a cor e o canto de que a letra fala não são da Daniela, mas sim, da comunidade negra da Bahia. A letra foi escrita por Daniela, mas também por um dos mais significativos nomes da música baiana, Tote Gira.
"Batuque", segunda faixa, de um swing incrivelmente baiano, foi composta por outros grandes nomes da música baiana Rey Zulu e Genivaldo Evangelista. Em "Você não entende nada", de Caetano Veloso e Chico Buarque, Daniela começa a flertar firme com outras esferas musicais, e o resultado excelente. Jorge Portugal nos brinda com "Bandidos da América" que felizmente foi gravada neste disco por Daniela. "Só pra te mostrar", de Hebert Viana, está no disco, e conta com participação especial do próprio. Outro hit dos álbum é "Mais Belo dos Belos", composta por Guiguio, Valter farias e Adailton Poesia. Fecha o disco o frevo "Monumento Vivo", uma grande composição de Moraes Moreira e Davi Moraes.
Em O Canto da Cidade, iremos encontrar ainda composições de Ramon Cruz, Toni Augusto, Jorge Xaréu, Durval Lelys, Armandinho Macedo e Edmundo Caroso ("Exótica das Artes"), Carlinhos Brown.
Lista de Músicas:
1. O Canto da Cidade
2. Batuque
3. Você não entende nada
4. Bandidos da América
5. Geração Perdida
6. Só pra te mostrar
7. O mais belo dos belos
8. Rosa Negra
9. Vem morar comigo
10. Exótica das Artes
11. Rimas Irmãs
12. Monumento Vivo
Banda Patrulha - Orixás (1992)
Banda Patrulha - Orixás (1992)
Incrível como ainda hoje, muita gente trata a música baiana como rasa, sem conteúdo ou "música de uma nota só". Apesar de reconhecer a falta de qualidade em grande parte das produções, não dá para colocar tudo no mesmo bojo. Generalizar para o negativo é fácil, mas é difícil reconhecer que muito da axé music tem qualidade sim.
Não me refiro a artistas contemporâneos que, unindo talento e tecnologia, conquistaram patamares estratosféricos. Estou me referindo a artistas que pegaram momentos difíceis como a transição da década de 1980 para 1990. Muitas identidades se perderam. Muita música desapareceu. Muitos artistas se apagaram. Mas é neste momento caótico que uma moça de sorriso largo e olhos brilhantes se destaca. Acompanhada de uma banda poderosa, (André Lima e Adson Tapajós na percussão, Neto na bateria, Marcos Costa na guitarra, Marcelo Gomes no baixo, Nétia (backing vocal) e Leco Maia teclado e voz), Cátia Guimma chamou atenção de todos.
É claro que Cátia não fez nada sozinha, esse conjunto de grandes músicos formavam a Banda Patrulha, que anos antes chamava-se Banda Futuca, mondata inicialmente para puxar o bloco homônimo no carnaval da Bahia. Tendo três discos em seu currículo, a Patrulha fez história. E continua, tendo Leco Maia soberano à frente de todo o trabalho, desde que Cátia saiu em carreira solo. Dos três discos, destacamos aqui o primeiro, Orixás (1992). Deste LP, saíram três grandes sucessos da música baiana: "Orixás" (Leco Maia), "Crina Negra" (Edinho Moraes e Robertinho do Recife) e "Semente de Prazer" (Jero).
"Orixás", faixa que dá nome ao disco, é uma das mais belas composições da música baiana. Uma grande exaltação às belezas naturais e humanas que este pedaço de Brasil oferece e que, muitas vezes é confundido com subserviência. A voz de Cátia se encaixou perfeitamente à canção.
"Crina Negra", um sucesso gravado e regravado por diversos artistas brasileiros, também fez sucesso através da Patrulha. Galope de primeira, composto pela dupla Edinho Moraes e Robertinho do Recife, traz em sua essência a força da música nordestina.
Por fim, a não menos importante, "Semente de Prazer", foi composta por Jero e tornou-se uma das músicas mais cantadas dos carnavais baianos. Fortemente influenciada por ritmos latinos, "Semente de Prazer" já fazia parte do repertório da banda Futuca e foi grande sucesso do carnaval de 1991.
Importante destacar que este disco traz ainda composições de Beto Jamaica, Jamilton Luz e Rey Zulu.
Lista de músicas:
1. Orixás
2. Suor e cerveja
3. Paz do Senhor
4. Olodum já
5. Crina Negra
6. Você me leva
7. Semente de prazer
8. Teu Olhar
9. Me faz delirar
10. Amor de menino
Maria - Safadinha (1991)
Maria - Safadinha (1991)
A música popular da Bahia também contou com representantes do segmento infantil. Muito antes da onda para "baixinhos", "pequeninos", e etc, nossa terra viu surgir artistas como Tia Arilma e suas pupilas Geisa e Paty Fofolete. Mara Maravilha também foi uma das pupilas de Arilma e, em seus tempos áureos, revelou outros nomes da música infantil. Entre as mais conhecidas dos anos 1990, estava a pequena Maria.
Tendo lançado apenas um disco em toda a sua carreira, a pequena e espevitada Maria chegou a emplacar até trilha sonora em novelas. Na Bahia, tornou-se uma febre entre crianças e adolescentes. Muito popular, chegou a tocar nas rádios, mas foi através da TV que ficou realmente muito famosa.
Em seu disco Safadinha (?!?), lançado em 1991, Maria canta de tudo. lambada, frevo, pop... Empreende em todas as faixas uma dedicação incrível e os resultados são realmente positivos. "Safadinha", faixa título do disco é uma lambada que tocou bastante na época e o frevo "Hora da Alegria", também merece destaque. "Varinha de condão" ficou famosa em todo o Brasil, como tema da primeira versão da novela Carrossel, assim como "Viagem Maluca" que tem participação especial da madrinha Mara Maravilha - na época, exclusividade da EMI/Odeon.
Mas uma das músicas mais fortes da Maria Sapequinha, foi "Merenda". Os arranjos dessa lambada são realmente tão marcantes e tão bons quanto uma música pensada para um adulto gravar - na época. Maria se saiu muito bem, tão bem que essa música era cantada frequentemente pelas crianças da época, principalmente aquelas que assistiam os programas vespertinos do SBT.
Por incrível que pareça, nada que remeta a samba ou samba-reggae aparece nesse disco. Talvez por ter sido produzido visando atingir também o público do sudeste. Ainda assim, a baianidade está perceptível no disco, pois o sotaque baiano está firme alí no canto da Mariazinha. A produção deste disco gravado no Estúdio Concorde, de São Paulo, teve participação ativa da dinda Mara Maravilha e do conhecido Arnaldo Sacomani
Lista de músicas:
1. Safadinha
2. Hora da Alegria
3. Como é bom ser criança
4. Aprender a ser feliz
5. Criança ternura
6. Viagem maluca
7. Mundo colorido
8. Merenda
9. Dó-Ré-Mi
10. Varinha de condão






