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A Cor do Som - Ao Vivo no Circo (1996)

A Cor do Som - Ao Vivo no Circo (1996)


Na maioria dos casos os "revivals" de grupos musicais, que ficaram inativos por muito tempo, ou que mudaram de formação (de forma natural) são sempre muito bem sucedidos. Se os músicos envolvidos forem realmente bons e a produção for levada à sério, a possibilidade do resultado ser ainda melhor, são bem possíveis. Em alguns casos, quando essas duas características positivas são unidas ao desejo de realizar um trabalho de qualidade, o resultado é realmente pode superar todas as expectativas. E é assim que vejo A Cor do Som Ao Vivo no Circo (1996) - na minha humilde opinião, é uma das melhores reuniões de ex-membros de grupo ou grupo musical inativo.  

Reuniram-se para o gravar o disco Armandinho Macedo, Ary Dias, Dadi Carvalho, Gustavo e Mú Carvalho. O grupo estava afiadíssimo. A vontade de tocar ficou ainda mais clara com o passar de cada música. Não adianta descrever o que achei do disco, pois nada substitui a experiência de você mesmo(a) escutar o álbum e tirar suas próprias conclusões. Mas vamos lá! "Beleza Pura", canção que abre o disco, chega a arrepiar. O mash-up "Zero" + "Abri a Porta", ficou incrível. "Menino Deus" ainda mais emocionante - dá pra perceber a euforia da platéia durante toda a apresentação.

Foi inserido no repertório também uma versão de "Yesterday", dos Beatles, com a emocionante execução de Armandinho e sua guitarra baiana. "Suingue Menina - Semente Menina" está fantástica. "Frutificar" e "Pororocas" parecem que nunca deixaram de ser tocadas pelos músicos. "Dentro da Minha Cabeça" recebeu arranjos mais joviais e está tão boa quanto a original. Arrepia quando o público responde cantando junto com o grupo. O disco é fechado por "Zanzibar", numa versão mais ritmada e menos afoxé, mas com bons arranjos e excelente execução - aliás, não poderíamos esperar menos desses mestres todos juntos.

Lista de músicas:

1. Beleza Pura
2. Zero + Abri a Porta
3. Mudança de Estação
4. Onde Todos Estão
5. Pororocas
6. Menino Deus
7. Yesterday
8. Suingue Menina - Semente Menina
9. Frutificar
10. Dentro da Minha Cabeça
11. Zanzibar

A Cor do Som - Gosto do Prazer (1987)


A Cor do Som - Gosto do Prazer (1987)


Tentando superar uma forte crise de identidade, A Cor do Som surge em 1987 com um novo disco. Como sugere o título Gosto do Prazer, a ideia era resgatar o prazer de fazer música e, consequentemente, o sucesso do grupo que veio perdendo popularidade nos últimos dois anos. Até meados dos anos 1980, o mercado musical vinha sendo dominado por artistas e bandas que viessem - fossem de lá ou não - do sudeste do país. Ser do norte ou do nordeste era feio, brega e "demodê". Muitos grupos e bandas migraram para lá e sofreram (leia-se aceitaram ou se submeteram a) influencias em sua musicalidade para serem aceitos nacionalmente - talvez essa fosse a causa da perda de identidade de A Cor do Som. Mas seria mesmo a perda? Talvez não. Muitos encaram como uma renovação sonora ou mesmo um amadurecimento natural.

A verdade é que o tempo passou, o nordeste - principalmente a Bahia - se rebelou contra essa hegemonia musical imposta e revelou diversos artistas e possibilidades culturais. Paralelamente, muitas mudanças internas ocorreram em A Cor do Som e tudo isso interfere, positiva ou negativamente - nesse caso, das duas formas, basta dar uma espiada no histórico do grupo. Mas a verdade é que, mesmo com essa crise (e isso é uma conclusão minha) o disco é maravilhoso e muito superior ao anterior O Som da Cor (1985).

O novo álbum é rico em musicalidade e foi importante para o grupo, pois esse seria o seu último disco. Composto por melodias e letras fantásticas, alguns hits da banda saíram deste LP. Destacamos, primeiramente, o maior deles, "Gosto do prazer", que conta com participação especial de Gilberto Gil. Essa música, de sonoridade tão diferente das origens do A Cor do Som, foi parar na trilha sonora na telenovela Hipertensão (1987). Outro sucesso foi "Dança baiana", que estourou como uma das mais tocadas nas rádios da Bahia, entre 1987 e 1988. Destaco também "Olhar de espiã", meio baladinha, meio dançante.

E meses depois de Gosto do Prazer ter sido lançado, o grupo chega ao fim, mas para sorte dos apreciadores, alguns encontros posteriores aconteceriam. Tudo isso mostrou que os acertos foram maiores que os erros e que o grupo conseguiu sim colorir a música popular brasileira.

Lista de músicas:

1. Favelas
2. Gosto do prazer - part. especial Gilberto Gil
3. Dança baiana
4. Toda vez
5. Maria Caracoles
6. Olhar de espiã
7. Onde todos estão
8. Se segura malandro - part. especial Evandro Mesquita
9. Serenata Cynthias
10. Nova Cor (Como queria Lennon)
11. Menina dos Olhos
12. Som parati



A Cor do Som - O Som da Cor (1985)


A Cor do Som - O Som da Cor (1985)



Chega 1985 e uma onda New Wave invade a música em todo o mundo. Quem não assumiu a musicalidade punk eletrônica, entre as características do movimento, aderiu à moda no visual, fosse nas roupas, acessórios ou no cabelo. Essa novidade acabou pegando também A Cor do Som e o reflexo disso pode ser visto em O Som da Cor (1985).

O disco foi lançado com "os meninos" já incorporados ao New Wave, mas o maior impacto foi impresso nas faixas do disco. Sofrendo nitidamente essa interferência musical, as músicas ganharam uma melodia com pegada mais acelerada e "moderna", colocando o samba totalmente de lado e priorizando uma sonoridade quase que institucionalizada pelo sudeste do país.

Essa mudança sonora e a incorporação de elementos sonoros que sugerissem modernidade na música de A Cor do Som, deve ter sido um reflexo direto das mudanças que o grupo sofreu na época. Armandinho saiu em 1981 e foi substituído por Victor Biglione, que manteve a mesma musicalidade da banda. Nesse disco, em particular, a banda gravou sem Victor que foi substituído por Pedrinho Santana, que participou dos dois discos anteriores.

"Arrastando corrente", um rock moderno para a época, refletia outra das influências da época. "Som da cor" e "Ela vai ter que me escutar", são puro New Wave. A canção mais próxima do estilo que consagrou o grupo é "Vida que passamos" e "Tudo o que você quiser", são das poucas que ainda encontramos um pouco do som feito por eles em outros discos. "Bomba no vestibular" é um dos poucos reggaes gravados pelos meninos, mas de forma geral, o disco é regido pelo pop rock que se desenhava na época (influenciados pelo New Wave) e variação dos vocais nas músicas.

No fim das contas não desejo criticar negativamente, só destaco esse disco como um rompimento quase que completo com a antiga sonoridade que popularizou o grupo por todo o país e que só seria reencontrada anos depois, após os músicos originais decidirem reunir-se novamente para um ou dois projetos isolados.

O Som da Cor (1985)
Lista de músicas

1. Arrastando Corrente
2. Som da Cor
3. Ela vai ter que me escutar
4. Vida que passamos
5. Que flor é você?
6. Acho que ela gosta
7. Eu quero é bem mais
8. Navegante
9. Tudo o que você quiser
10. Bomba no vestibular

A Cor do Som - Intuição (1984)


A Cor do Som 1984 Intuição


Depois de tantas idas e vindas, de tantas mudanças, o grupo musical A Cor do Som decide rever seus conceitos e volta ao ponto inicial. Já haviam se passado seis anos desde o último disco instrumental da banda. O curioso é que este disco não é composto somente por faixas inéditas, entre elas mistura-se parte do instrumental composto pela banda e que já havia sido apresentado em seus discos anteriores.

O LP é aberto com a canção "Intuição", faixa que nos remete a uma nova sonoridade a ser mostrada pelo grupo. Muito bem executada, cumpre seu objetivo mostrando como será a nova fase do grupo. "Apanhei-te Mini-Moog" é uma referência a "Apanhei-te Cavaquinho", de Ernesto Nazaret. "Massaranduba" é uma das melhores e está neste disco também. "Do Lado de Lá" e "Cambalachero" fecham o disco com um clima bem positivo, pra cima.

Lista de músicas

Lado A
1. Intuição
2. Loro
3. Fantasia Nordestina (Parte 1)
4. Bilhete pra Armandinho

Lado B
5. Apanhei-te Mini-Moog
6. Massaranduba
7. Do Lado de Lá
8. Cambalachero

A Cor do Som - As quatro fases do amor (1983)

A Cor do Som - As quatro fases do amor (1983)



Inaugurando uma musicalidade, agora inserindo elementos que deixam sua música com um ar mais moderno, mas conseguindo manter a leveza de outrora, A Cor do Som lança As quatro fases do amor (1983). Algumas mudanças foram reflexo da saída de Armandinho Macêdo, mas possivelmente, muitas outras foram mesmo uma questão de marcado.

As quatro fases do amor é um disco dançante e animado jovem, assim como os demais trabalhos do grupo. Apesar das mudanças, a qualidade das músicas não cai. As letras continuam incríveis. O ponto alto deste disco é, sem sombra de dúvidas, é "Dentro da Minha Cabeça", de Gerônimo e Lula Queiroz. "A Abóbada da vida" foi composta por Gilberto Gil, enquanto "Flor de Incendiária" é de autoria de Guilherme Arantes. Em "Um som pra você", conta com participação de Cecília Spyer.

Lista de músicas

1. As quatro fases do amor
2. Dentro da minha cabeça
3. Eu sempre quis andar de Jeep
4. Primeiro Olhar
5. Um som pra você
6. Era de Aquários
7. Das maravilhas do mar fez-se o esplendor de uma noite
8, A Abóbada da vida
9. Flor Incendiária
10. Falsos Rubis
11. Lua pra ti
12. Rio de Janeiro

A Cor do Som - Magia Tropical (1982)


A Cor do Som - Magia Tropical (1982)



Nesse sexto disco, o grupo musical A Cor do Som, mantém um nível altíssimo de qualidade, tanto nos arranjos quanto nas letras. Magia Tropical (1982), assim como seu antecessor Mudança de Estação (1981), foi lançado pela gravadora Elektra/WEA - os quatro anteriores saíram pela Atlantic.

A faixa que dá título ao álbum, é também responsável pela abertura do mesmo, composta por Mu Carvalho e Evandro Mesquita. Apesar da pegada dançante é cantada de maneira leve, típica canção do grupo. Destacamos também "Menino Deus", uma linda poesia de Caetano Veloso, canção de contexto bastante ousado para época. Diferente do que se pensa, ela não se refere a um 'Deus menino', mas sim, à beleza humana ou ainda à beleza de um ser humano. Flor de Alecrim é outra música que merece destaque, tamanha beleza de sua letra.

Talvez este seja o mais tocante álbum do grupo, pra saber só ouvindo!

Lista de músicas


1. Magia Tropical - Mú Carvalho e Evandro Mesquita
2. Menino Deus - Caetano Veloso

3. Goma de Mascar - Gilberto Gil

4. Ping-pong - Mú Carvalho / Victor Biglione

5. Flor de Alecrim - Mú Carvalho / Paulinho Tapajós
6. Sargento Pimenta e a Banda Solidão - Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band (John Lennon / Paul McCartney / Vrs. Gilberto Gil
7. A Semente Mágica - Mú Carvalho
8. Razão - Paulo Leminski
9. Outras Praias - Victor Biglione
10. O Balão Vai Subir - Mú Carvalho
11. Eternos Meninos - Mú Carvalho / Paulinho Tapajós







A Cor do Som - Mudança de Estação (1981)

A Cor do Som - Mudança de Estação (1981)



Depois do sucesso de Transe Total (1980), A Cor do Som tem a "responsabilidade" de apresentar um novo disco tão bom quanto o anterior. Considerando a genialidade dos músicos que compunham o grupo, seria um trabalho relativamente fácil. Será?

A abertura de Mudança de Estação (1981), já carrega em si uma mudança sonora perceptível, a instrumental "Saudação à Paz" é a responsável por avisar ao pública que, realmente, tem mudanças por vir! "Zero" reforça as transformações do grupo, que vão se tornando mais claras com o passar do disco. Deste disco saem pelo menos mais dois clássicos do grupo, "Asas Musicais" e "Alto Astral". 
"Apanhei-te Mini-Moog" é uma referência clara a "Apanhei-te Cavaquinho" de  Ernesto Nazaret. Não deixemos passar a polka/ maxixe "Cinema Mudo", toda tocada ao piano.

"Mudança de Estação", faixa título, apresenta-se como uma levadinha pop, mas fala de amores juninos típicos do nordeste brasileiro, um bom contraste cultural. Aliás, este é um disco de contrastes. Nele fica ainda mais clara a diferença entre as canções letradas e as instrumentais. Para nossa sorte, ambas de qualidade incontestável.
Lista de músicas

1. Saudação à Paz
2. Zero
3.  Ar de Baião
4. Asas Musicais
5. Alto Astral
6. Apanhei-te Mini-Moog
7. Escapuliu, Tudo Areia
8. Mudança de Estação
9. Swingue
10. O Show Não Tem Final
11. Vôo da Borboleta
12. Cinema Mudo
13. Ciranda das Estrelas
14. Boa Vibração

A Cor do Som - Transe Total (1980)


A Cor do Som - Transe Total (1980)



Sabe aquele álbum que você escuta uma vez e,de cara, se apaixona? Foi assim com Transe Total, do grupo A Cor do Som. Lançado em 1980, o disco dá uma renovada no fôlego para o público do grupo musical, que vinha de uma pressão da gravadora para que colocassem letra em sua música instrumental. A mudança de formato não os afastou de seu público, na verdade os produtores acertaram. A partir do segundo disco, A Cor do Som conquistou ainda mais seguidores.

Transe Total (1980), é um disco bastante diverso. "Dança das Fadas" abre o disco de forma magistral. Mantendo a tradição instrumental, traz a ludicidade que o título sugere - realmente uma grande composição! Neste mesmo disco é apresentada a primeira gravação de "Palco", de Gilberto Gil, que só viria gravá-la e lançá-la no ano seguinte (1981). O mega afoxé "Zamzibar" também é apresentado neste disco, uma febre no ano de 1980! Este clássico composto por Fausto Nilo, foi registrado na voz de Armandinho Macedo e foi uma das músicas mais tocadas nos carnavais entre 1980 e 1985.

Merece destaque também "Semente do Amor", uma versão samba-pop instrumental para "Maracangalha", "Bruno e Daniel", com abertura incrível ao piano e continuada em dueto com violão. Não dá para ignorar a genialidade de "Para Ser o Sol" e "Transe Total", música que dá título ao álbum e que fecha LP.

Lista de Músicas

1. Dança das Fadas
2. Palco
3. Moleque Sacana
4. Farraforró
5. Zanzibar
6. Massaranduba
7. Semente do Prazer
8. Maracangalha
9. Bruno e Daniel
10. Para Ser o Sol
11. Transe Total

Letras

Palco
(Gilberto Gil)

Subo nesse palco
Minha alma cheira a talco
Como bumbum de bebê, de bebê
Minha aura clara
Só quem é clarividente pode ver, pode ver
Trago a minha banda
Só quem sabe onde é Luanda
Saberá lhe dar valor, dar valor
Vale quanto pesa
Pra quem preza o louco bumbo do tambor, do tambor
Fogo eterno pra afugentar
O inferno pra outro lugar
Fogo eterno pra consumir
O inferno, fora daqui
Venho para a festa
Sei que muitos tem na testa
O Deus-Sol como um sinal, um sinal
Eu como devoto
Trago um cesto de alegrias do quintal, do quintal
Há também um cântaro
Quem manda é Deus a música
Pedindo pra deixar, pra deixar
Derramar o bálsamo
Fazer o canto cantar
O cantar
Fogo eterno pra afugentar
O inferno pra outro lugar
Fogo eterno pra consumir
O inferno, fora daqui

Zanzibar
(Armandinho e Fausto Nilo)

O azul de Gezebel*
No céu de Calcutá
Feliz constelação
Reluz no corpo dela
Ai tricolor colar
Ás de maracatu
No azul de Zanzibar
Ai meu coração
Zumbiu no corpo dela
Ai, mina aperta a minha mão
Alah, meu only you
No azul da estrela
Aliás, bazar da coisa azul
Meu only you
É muito mais
Que o azul de Zanzibar
Paracuru, o azul da estrela
O azul da estrela

A Cor do Som - Frutificar (1979)

A Cor do Som - Frutificar (1979)





Frutificar (1979), é um disco realmente surpreendente. A Cor do Som, em um dos discos de sua fase de maior criatividade, mostra que mesmo sob pressão é possível realizar um excelente trabalho. A pressão veio, mesmo após o sucesso dos dois primeiros discos, para que os rapazes colocassem letra nas músicas e não só mantivessem composições instrumentais em seu repertório.

Esse que é o segundo disco de estúdio do grupo, traz um dos maiores sucessos da música popular brasileira "Abri a Porta", porém, antes, quem abre o disco é a faixa título. "Frutificar" começa como uma balada leve e vai ganhando ritmo até tornar-se um estouro de ritmos nordestinos. Tem espaço também para o chorinho "Assanhado" de Jacon do Bandolim, lançado em 1961. Outro sucesso da época, "Swingue Menina" também faz parte deste mesmo LP, assim como "Beleza Pura". Enorme sucesso musical, curiosamente lançada pelo grupo no mesmo ano em que foi lançada por Caetano Veloso no disco Cinema Transcendental (1979).

Lista de Músicas

1. Frutificar
2. Abri a Porta
3. Assanhado
4. Swingue Menina
5. Itacimirim
6. Beleza Pura
7. Pororocas
8. Ticaricuriquetô
9. Viver Pra Sorrir
10. Frutificar

Letras

Abri a Porta
(Dominguinhos e Gilberto Gil)

Abri a porta
Apareci
A mais bonita
Sorriu pra mim
Naquele instante
Me convenci
O bom da vida
Vai prosseguir
Vai prosseguir
Vai dar pra lá do céu azul
Onde eu não sei
Lá onde a Lei
Seja o amor
E usufruir do bem, do bom e do melhor
Seja comum
Pra qualquer um
Seja quem for
Abri a porta
Apareci
A mais bonita
Sorriu pra mim

Beleza Pura
(Caetano Veloso)

Não me amarra dinheiro não
Mais formosura
Dinheiro não
A pele escura
Dinheiro não
A carne dura
Dinheiro não
Moça preta do Curuzu
Beleza pura
Federação
Beleza pura
Boca do Rio
Beleza pura
Dinheiro não
Quando essa preta começa a tratar do cabelo
É de se olhar
Toda a trama da trança, transa do cabelo
Conchas do mar
Ele manda buscar pra botar no cabelo
Toda minúcia, toda delícia
Não me amarra dinheiro não
Mais elegância
Não me amarra dinheiro não
Mais a cultura
Dinheiro não
A pele escura
Dinheiro não
A carne dura
Dinheiro não
Moço lindo do badauê
Beleza pura
Do Ilê Aiyê
Beleza pura
Dinheiro ieah
Beleza pura
Dinheiro não
Dentro daquele turbante do Filho de Gandhy
É o que há
Tudo é chic demais, tudo é muito elegante
Manda botar
Fina palha da costa e que tudo se trance
Todos os búzios, todos os ócios
Não me amarra dinheiro não
Mas os mistérios



A Cor do Som - Ao Vivo em Montreux (1978)

A Cor do Som - Ao Vivo em Montreux (1978)



Eu chamo de ousados! Tanto eles quanto este disco são ousados!!!

O segundo álbum da banda baiana/carioca, A Cor do Som ao Vivo, foi gravado ao vivo no International Monteux Jazz Festival, na Suíça, no ano de 1978. O grupo era composto por alguns dos melhores músicos brasileiros: Armandinho Macêdo - guitarra, Dadi - baixo, Mu Carvalho - teclados e sintetizadores e Gustavo Schroeter - bateria.

O disco do show instrumental, assim como o A Cor do Som (1977), não teve uma boa receptividade por parte do público, apesar de sua inegável qualidade. A partir dos próximos discos a banda passa a inserir números também cantados, por pressão da gravadora e sim, a banda cai definitivamente no gosto popular.

Lista de músicas:

1. Dança Saci
2. Chegando da Terra
3. Arpoador
4. Cochabamba
5. Brejeiro
6. Espírito infantil
7. Festa da Rua
8. Eleanor Rigby




A Cor do Som - A Cor do Som (1977)

por Zé Ricardo Oliveira


A Cor do Som: capa do disco homônimo de 1977


Falar de música baiana e não citar A Cor do Som é covardia.
A banda que inovou com um som bastante jovem, surpreendeu a cada disco. Entre composições somente instrumentais e outras com letras que tratavam de temas que extrapolavam as fronteiras de cada região do Brasil, conquistavam cada vez mais seguidores.

Aqui um breve comentário faixa a faixa do primeiro álbum, A Cor do Som, de 1977.

Lado A
01 – Arpoador – Armandinho, Dadi, Gustavo e Mu - Instrumental - combina alguns estilos nordestinos com uma pegada pop e a guitarra de Armandinho Macedo.

02 – Na Onda do Rio – Armandinho - Instrumental - Baião com toque de viola bem dedilhadas e um teclado que de leve dá uma quebrada no som mais tradicional e dá a cara do grupo a esse ritmo.

03 – Tigreza – Caetano Veloso - Instrumental - canção sensual marcada também pelo dedilhar da viola e uma guitarra rock'n roll de fundo. E sim, está escrita com Z.

04 – De Tarde Na Liberdade – Morais e Haroldo - pegada bem baiana nesse som que lembra muito do que se faz Carnaval na Bahia nessa época.

05 – A Cor do Som – Dadi e Marcelo - Cara de música disco dos anos 1970. Primeira faixa cantada do disco.

Lado B
01 – Samba Vishnu – Pepeu - um pseudosamba cheio de guitarra baiana.

02 – Espírito Infantil – Mu - Bandolins, guitarras, violinhas e pianos se misturando num samba que remonta um clima das musicas de barbeiro.

03 – Bodoque – Túlio Mourão - frevinho guitarrado típico do carnaval baiano dos anos 1970.

04 – Conversando é Que A Gente Se Entende – Armandinho - samba gostoso, furioso. O clima é dos samba dos anos 1960 e início dos anos 1970.

05 – Odeon – Ernesto Nazareth - Pegaram o samba de Sr. Ernesto e deram uma cara bem jovem e interessante.

06 – Pique Esconde – Armandinho, Dadi, Gustavo e Mu - mais um baião guitarrado bem interessante! Inclusive em um determinado momento trazem um trecho de "Baião" do mestre Luiz Gonzaga.

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